benditos os que te amaram…

dsc_0025b

Kika Domingues by Fábia Domingues – RN – Natal

A mulher e seu passado

Benditos teu pai e tua mãe; benditos os que te amaram e os que te maltrataram; bendito o artista que te adorou e te possuiu, e o pintor que te pintou nua, e o bêbedo de rua que te assustou, e o mendigo que disse uma palavra obscena; bendita a amiga que te salvou e bendita a amiga que te traiu; e o amigo de teu pai que te fitava com concupiscência quando ainda eras menina; e a corrente do mar que te ia arrastando; e o cão que uivava a noite inteira e não te deixou dormir; e o pássaro que amanheceu cantando em tua janela; e a insensata atriz inglesa que de repente te beijou na boca; e o desconhecido que passou em um trem e te acenou adeus; e teu medo e teu remorso e a primeira vez que traíste alguém; e a volúpia com que o fizeste; e a firme determinação, e o cinismo tranquilo, e o tédio; e a mulher anônima que te vociferou insultos pelo telefone; e a conquista de ti por ti mesma, para ti mesma; e os intrigantes do bairro que tentaram te envolver em suas teias escuras; e a porta que se abriu de repente sobre o mar; e a velhinha de preto que ao te ver passar disse: ‘moça linda…’; bendita a chuva que tombou de súbito em teu caminho, e bendito o raio que fez saltar teu cavalo, e o mormaço que te fez inquieta e aborrecida, e a lua que te surpreendeu nos braços de um homem escuro entre as grandes árvores azuis. Bendito seja todo o teu passado, porque ele te fez como tu és e te trouxe até mim. Bendita sejas tu.
Rubem Braga.

Meu bem amado…

Edu Lobo 70 Anos para assistir o show completo :))

A noite de gala no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (29 de agosto de 2013) comemorou os 70 anos de idade e 50 de carreira musical de Edu Lobo. Compositor de obras definitivas da música popular brasileira, são de Edu algumas das mais bonitas canções feitas no Brasil e no mundo nos últimos 50 anos.

Figura – Orlando Morais

A mim não importa ser a sombra
quando você é a figura
ser a situação quando você é o assunto

Eu nasci pra estar ao seu lado
mesmo se não estamos juntos
e é por isto que quando gritas
permaneço calado
como o sol determina
retrato falado, meu pé de laranja lima
nós somos assim como um desenho
talvez reflexo e refletor

Você, as imagens que tenho
as que quero
as que tenho amor

Figura – Orlando Morais

 

Vocação de Felicidade…

 

By Kika Domingues

By Kika Domingues

A gente cresce e vive de saudades também. Mas isso pode ser tão penoso… Como se somente o que passou tivesse vocação de felicidade. Por isso, não viva de buscar tesouros. Preserve o que é seu para não se frustrar em demasia. Desejar é bom, nos mantém alertas e vivos, mas chega uma hora em que é preciso somente agradecer. Mesmo sem saber rezar, não tenha pudores em dobrar os joelhos e dizer obrigado. Na vida saímos esfolados vezes demais, mas o saldo é sempre positivo. Só tenha paciência de esperar, pois mesmo sendo difícil, há beleza. Mesmo machucando, há prazer. Mesmo frustrando, há satisfação.

Leia mais: http://www.asomadetodosafetos.com/2016/03/as-10-melhores-frases-de-fabiola-simoes-com-fotografia-de-elena-shumilova.html#ixzz44qv717yQ

Hoje é dia da Poesia… Tom Jobim

Eu amo poesia, música e fotografia…

Tom, poeta e músico, cantou uma história…  “a meia luz”

Uma linda cena aonde ao mesmo tempo em que o sol se põe a lua nasce…

Fotografia :))

E viva a poesia!

Paula Morelenbaum, Jaques Morelenbaum & Ryuichi Sakamoto – Fotografia (Photograph) by Antonio Carlos Jobim

-uploaded in HD at http://www.TunesToTube.com

Habitar-me tu…

 

_DSC0100b

By Kika Domingues

 

Às vezes tu me habitas como ruídos a uma casa,

como marcas a um rosto que por elas se define

e te lembrar é voltar ao que há de mais meu em mim mesma,

à parte de mim mesma que me revela e me assombra.

 

Às vezes eu quase te esqueço,

quase te perco

e quase sou completamente triste

e quase sou completamente outra

sem a interrogação onipresente dos teus olhos,

sem a incompreensão cúmplice da tua voz.

 

Estás em mim e não há nada a fazer,

mesmo a meio da noite,

quando és um vazio cheio de pontas,

mesmo a meio da frase,

quando és um gole de ar no lugar do teu nome.

 

Tu és meu porque de ti sou feita

e negar-te a mim seria parir-me ao contrário.

 

Aceito assim meu ofício de habitar-me tu –

ainda que a mim nunca regresses,

mesmo que de mim jamais tenhas partido.

(Patrícia Antoniete – 14/01/2009)

Saudade… (sempre) por Jane Duboc

159167_1

 

Sempre fui fã de Jane Duboc e faltava colocá-la em meu “livro de recortes”. Agora sim!

Ela que ouço tanto! Ela que tem embalado e enriquecido com sua música e voz suaves a trilha sonora da minha vida.

Hoje a assisti no programa Som do Vinil, programa muito bom que só tem um defeito: é bem “curtinho” deixando sempre um gosto de “quero mais”. O destaque foi o vinil Languidez gravado pela Duboc.

Parabéns Charles Gavin por trazer a tona e a nossa memória o que há de melhor na nossa música! (sextas a noite no Canal Brasil).

A música em destaque foi o ponto alto do programa marcado por grande comoção; chorei com ela a Saudade; saudade essa que todos trazemos dentro de nós das coisas já passadas… Saudade que embarga a voz, trava… Alias a Jane Duboc assim como quando canta, parece ter a emoção a flor da pele, sempre!

 

 

Inda que eu me feche
E jure nunca mais te ver,
Tens o meu segredo
E a chave que me abre em teu poder.
Sabes como entrar,
Por onde vir.
Por que não aprendes a sair de mim?
Inda que eu a seque,
A fonte volta a murmurar.
Contra a correnteza,
Sou tão fraco,
Não posso nadar.
Tuas águas me levando assim,
Cada vez mais,
Pra longe de mim.
Tuas águas me levando assim,
Cada vez mais,
Pra longe de mim.
Inda que eu apague,
O fogo volta a se acender.
E esta saudade,
Esta vontade de te ver.
Tua chama vai queimando assim,
O pouco de paz que existe em mim.
(Saudade)
Jane Duboc interpretando Flavio Venturini

Acorda, vem ver a lua…

Acorda, vem ver a lua Que dorme na noite escura Que fulge tão bela e branca Derramando doçura Clara chama silente Ardendo o meu sonhar As asas da noite que surgem E correm no espaço profundo Oh, doce amada, desperta Vem dar teu calor ao luar Quisera saber-te minha Na hora serena e calma À sombra confia ao vento O limite da espera Quando dentro da noite Reclamo o teu amor Acorda, vem olhar a lua Que brilha na noite escura Querida, és linda e meiga Sentir meu amor e sonhar…

Desenhando…

copy_of_p32_alterada

google.com

Brinco de desenhar você…

Faço avenidas para dançarmos juntos

iluminados pela luz dos postes…

Faço praias para caminharmos de mãos dadas

ao som das ondas que quebram nas areias…

Brinco de desenhar você…

E coloco palavras em tuas mãos

para que me escrevas poemas

falando de amor

e destas coisas meio bobas

que os amantes adoram ouvir

e que ao final de tudo são a essência da felicidade…

Brinco de desenhar você…

E faço fantasias com a minha solidão

E faço da tua ausência, companhia…

E faço do vazio esta alegria,

Que a qualquer momento a borracha irá apagar…

Aluísio Cavalcante Jr.

Canto de Desalento…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

By Kika Domingues – Dois Córregos – São Paulo – 2011

”Longe do meu reino estou
Ando a procura de um sonho que perdi
Não quero senhora, nem sons de alaúde
Sou mais que um cavaleiro errante
Tudo tive e nada tenho
Sigo atrás de um sonho só
Eu vi a flor mais bela da estrada
Deitar-se ao vento
E secar ao sol
Meus olhos se turvaram
Ao pó da estrada
E nem por isso o pranto derramei

Nada devo ao meu lugar
Não tenho raízes, sou sem rei, não tenho lar
Dize-me donzela
Que de mim te ocultas
Qual o caminho que procuro
Nem eu mesmo sei achar
Dor imensa me acompanha

Eu vi a flor mais bela da estrada
Deitar-se ao vento
E secar ao sol
Meus olhos se turvaram
Ao pó da estrada
E nem por isso o pranto derramei”

Toninho Horta – “Canto de Desalento”

Que seja doce…

_DSC0013c

Que seja doce… By Kika Domingues

Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante…

Caio Fernando Abreu

A saudade que eu sinto de você…

Mas tudo vai ficar bem, agora…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Foto:  Kika Domingues – Dois Córregos – SP – Dez/2011

Que o caminho seja brando a teus pés,
o vento sopre leve em teus ombros.

Que o sol brilhe cálido sobre tua face,
as chuvas caiam serenas em teus campos.

E até que eu de novo te veja,
que Deus te guarde na palma da mão.

(Antiga Bênção Irlandesa)