A resposta está soprando no vento…

Bob Dylan por Marília Gabriela

O mundo muda?

Porque o apelo contido na poesia de Bob Dylan cabe como uma luva para o que vivemos nos dias atuais…

Post inspirado por Marília Gabriela em seu perfil no Instagram

ORAÇÃO DE ABANDONO DO PADRE DE FOUCAULD

By Kika Domingues – Praia de Boa Viagem – 10/2019

Meu Pai,

Eu me abandono a Ti.
Faz de mim
O que te agradar.

Não importa o que faças de mim,
Eu te agradeço.
Estou pronto a tudo,
Eu aceito tudo.

Tomara que tua vontade 
Se faça em mim,
Em todas tuas criaturas,
Eu não desejo nada mais,
Meu Deus.

Eu coloco minha alma
Entre tuas mãos.
Eu a te dou, meu Deus,
Com todo o amor
Do meu coração,
Porque eu te amo,
E que é minha necessidade,
De me colocar em tuas mãos
Sem medida,
Com infinita confiança,
Pois Tu és meu Pai.

riqueza…

_MG_3359b

Roseiras – By Kika Domingues

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer

Porque eu sou do tamanho do que vejo

E não do tamanho da minha altura…

Nas cidades a vida é mais pequena

Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,

Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe

de todo o céu,

Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos

nos podem dar,

E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Alberto Caeiro

vida em viver…

By Kika Domingues
Recife – Boa Viagem – Ago/2019

A vida não é sobre quantas coisas eu posso comprar, sobre quão grande minha casa pode ser, ou até mesmo as imensas viagens que um dia poderei fazer. Se trabalho no sonho ou só trabalho.Qual o meu curso? Sou formada em quê? E ela ainda não é sobre o quanto erro; quem tá aqui pra contar? Mas é sobre o quanto acho vida em viver. A luz que nasce com o dia apesar de mim. Na brisa que mesmo assim, se fechar os olhos, posso sentir em meu rosto. No prazer de hoje. A vida é uma boa e calma leitura de entrelinhas. Deus não é difícil de encontrar.

@bellacrusoe

tua voz…

By Kika Domingues

No te amo como si fueras rosa de sal, topacio
o flecha de claveles que propagan el fuego:
te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
secretamente, entre la sombra y el alma.

Te amo como la planta que no florece y lleva
dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
el apretado aroma que ascendió de la tierra.

Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
así te amo porque no sé amar de otra manera,

sino así de este modo en que no soy ni eres,
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,
tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.

Soneto XVII – Pablo Neruda, 1959 (in Cien Sonetos de Amor)

sincronicidade…

Por aí...

Por aí… By Kika Domingues

não temos pressa. não procuramos simetria nas nossas vidas tortas. estamos de folga dos suspiros ofegantes. das cartas desesperadas. e dos telefonemas a meia-noite. não esperamos respostas para os sms’s sem perguntas. não falamos alto. não pedimos atenção. não trocamos flores, elogios e bem-me-queres. degustamos o tempo em seus compassos. não pulamos as vírgulas. os pontos. os travessões. não alimentamos grandes expectativas. nem cachorros abandonados. não planejamos o jantar. nem o final de semana. nem o nome de nossos filhos. não quero saber se teremos filhos. não esperamos que venham num cortejo de borboletas amarelas. estamos casulo. metamorfoseando. (…) não me lembro ao certo quando te conheci. nem se eu queria conhecer alguém naquele tempo. mas isso não importa nesse momento.

sem correr. só preciso de alguns abraços queridos, a companhia suave, bate-papos que me façam sorrir, algum nível de embriaguez e a sincronicidade: eu e você não acontecemos por uma relação causal, mas por uma relação de significado. que ainda estamos trabalhando.


tiago yonamine

Trio Amaranto e Orquestra de Câmara de Ouro Branco – não deixe de ouvir…

E aí, numa quinta feira Santa você descobre esse trabalho mais recente do Trio Amaranto, sublime, poético e! Só nos resta alimentar o espírito com o que há de mais sublime e divino, a música :))

 

    Link para a Parte 2, imperdível

Making Of

Pesquise sobre esse maravilhoso grupo e tenha surpresas  lindas e mais lindas

Mas é doce morrer nesse mar de lembrar…

 

1-25-1024x536

Macapá, uma cidade cortada pela linha do Equador – Foto By jai Mansson

Linha do Equador

 

…Esse imenso, desmedido amor

Vai além que seja o que for

Vai além de onde eu vou

Do que sou, minha dor

Minha linha do equador

Mas é doce morrer nesse mar de lembrar

E nunca esquecer

Se eu tivesse mais alma pra dar

Eu daria, isso pra mim é viver.

(Djavan – Linha do Equador)

 

Ouça essa linda poesia

E aqui também :))

Concretude…

by kika domingues

By Kika Domingues

 

Tem esse aperto no peito e uma quase-angústia. Das coisas sem nome, que eu podia chamar de. Mas é melhor não. Porque quando a gente enfeita o sentimento com letras, ele ganha uma concretude que é pra nunca mais. E eu tenho medo do que é pra nunca mais.

 

Brisa

Amor, Amor… Sueli Costa por Joyce Moreno

Amor Amor
Sueli Costa e Cacaso

Quando o mar
Quando o mar tem mais segredo
Não é quando ele se agita
Nem é quando é tempestade
Nem é quando é ventania
Quando o mar tem mais segredo
É quando é calmaria

Quando o amor
Quando o amor tem mais perigo
Não é quando ele se arrisca
Nem é quando ele se ausenta
Nem quando eu me desespero
Quando o amor tem mais perigo
É quando ele é sincero

100 anos do TOM :))

Dedicados à obra de Antonio Carlos Jobim já lançados, os CDsJobim Jazz (2007) e + Jobim Jazz (2011), o violonista, arranjador e produtor Mario Adnet apresentou arranjos jazzísticos para canções menos óbvias do maestro, selecionadas a partir de pesquisas na riquíssima obra de Tom Jobim. Vale a pena assistir todos os vídeos desse lindo projeto musical.

Tom, que Deus o tenha em um lugar maravilhoso!

Habitar-me tu…

 

_DSC0100b

By Kika Domingues

 

Às vezes tu me habitas como ruídos a uma casa,

como marcas a um rosto que por elas se define

e te lembrar é voltar ao que há de mais meu em mim mesma,

à parte de mim mesma que me revela e me assombra.

 

Às vezes eu quase te esqueço,

quase te perco

e quase sou completamente triste

e quase sou completamente outra

sem a interrogação onipresente dos teus olhos,

sem a incompreensão cúmplice da tua voz.

 

Estás em mim e não há nada a fazer,

mesmo a meio da noite,

quando és um vazio cheio de pontas,

mesmo a meio da frase,

quando és um gole de ar no lugar do teu nome.

 

Tu és meu porque de ti sou feita

e negar-te a mim seria parir-me ao contrário.

 

Aceito assim meu ofício de habitar-me tu –

ainda que a mim nunca regresses,

mesmo que de mim jamais tenhas partido.

(Patrícia Antoniete – 14/01/2009)