O esquecimento é a arma mais letal do amor…

 

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By Kika Domingues

” (…) O esquecimento é a arma mais letal do amor, quem nos esquece é como se esquecesse de tudo o que fomos. Ou pior: que existimos. Quem ama e consegue esquecer é uma espécie de assassino: mata a realidade, apaga-a, revoga-a, transforma-a num pesadelo absurdo no qual somos obrigados a aprender outra vez a viver (…)” (Margarida Rebelo Pinto – Alma de pássaro)

Eternidade…

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Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

Cecília Meireles

Ferreira Gullar – 04/12/2016 :(

Foto: Eder Chiodetto

Foto: Eder Chiodetto

Um país sem “pão” e com muita poesia…

Ferreira Gullar

Não há vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira.

Aniversário… Meu desejo para hoje :))

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A poesia em mim – por Kika Domingues

Que a arte não se torne para ti a compensação daquilo que não soubeste ser

Que não seja transferência nem refúgio

Nem deixes que o poema te adie ou divida: mas que seja

A verdade do teu inteiro estar terrestre.

A casa térrea – Sophia de Mello Breyner Andresen

Se eu conversasse com Deus…

 

Leandro Gomes de Barros

Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?”

Marina Colasanti e Ivan Lins

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By Kika Domingues

Acqua Marcia
(Ivan Lins e Marina Colasanti)

Em todo lugar sou estrangeira
Menos na minha casa
E mesmo na minha casa
Nenhum habitante sabe
Que o gosto justo da água
É aquele daquela água
Que em minha terra se bebe
(Ivan Lins e Marina Colasanti)

Para ouvir