” …a estrada antes da curva”… Vida que segue…

By Kika DOmingues
By Kika Domingues

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.

Alberto Caeiro

DA NECESSIDADE DE AUMENTAR O MUNDO – Fernando Pessoa

www.google.com

Tive sempre, desde criança, a necessidade de aumentar o mundo…

[Rascunho de uma carta a Adolfo Casais Monteiro -1935]

Tive sempre, desde criança, a necessidade de aumentar o mundo com personalidades fictícias, sonhos meus rigorosamente construídos, visionados com clareza fotográfica, compreendidos por dentro das suas almas. Não tinha eu mais que cinco anos, e, criança isolada e não desejando senão assim estar, já me acompanhavam algumas figuras de meu sonho — um capitão Thibeaut, um Chevalier de Pas — e outros que já me esqueceram, e cujo esquecimento, como a imperfeita lembrança daqueles, é uma das grandes saudades da minha vida.

Isto parece simplesmente aquela imaginação infantil que se entretém com a atribuição de vida a bonecos ou bonecas. Era porém mais: eu não precisava de bonecas para conceber intensamente essas figuras. Claras e visíveis no meu sonho constante, realidades exactamente humanas para mim, qualquer boneco, por irreal, as estragaria. Eram gente.

Além disto, esta tendência não passou com a infância, desenvolveu-se na adolescência, radicou-se com o crescimento dela, tornou-se finalmente a forma natural do meu espírito. Hoje já não tenho personalidade: quanto em mim haja de humano, eu o dividi entre os autores vários de cuja obra tenho sido o executor. Sou hoje o ponto de reunião de uma pequena humanidade só minha.

Trata-se, contudo, simplesmente do temperamento dramático elevado ao máximo; escrevendo, em vez de dramas em actos e acção, dramas em almas. Tão simples é, na sua substância, este fenómeno aparentemente tão confuso.

Não nego, porém — favoreço, até — a explicação psiquiátrica, mas deve compreender-se que toda a actividade superior do espírito, porque é anormal, é igualmente susceptível de interpretação psiquiátrica. Não me custa admitir que eu seja louco, mas exijo que se compreenda que não sou louco diferentemente de Shakespeare, qualquer que seja o valor relativo dos produtos do lado são da nossa loucura.

«Médium», assim, de mim mesmo, todavia subsisto.

Sou, porém, menos real que os outros, menos coeso [?], menos pessoal, eminentemente influenciável por eles todos. Sou também discípulo de Caeiro, e ainda me lembro do dia — 13 de Março de 1914 — quando, tendo «ouvido pela primeira vez» (isto é, tendo acabado de escrever, de um só hausto do espírito) grande número dos primeiros poemas do Guardador de Rebanhos, imediatamente escrevi, a fio, os seis poemas-intersecções que compõem a Chuva Oblíqua («Orpheu» 2), manifesto e lógico resultado da influência de Caeiro sobre o temperamento de Fernando Pessoa.

Fonte:

http://arquivopessoa.net/textos/4264

“Porque sou do tamanho do que vejo…” Fernando Pessoa

PELO 123º ANIVERSÁRIO EM 13 JUNHO

Como homenagear e definir uma PESSOA de TAL TAMANHO?

DA MINHA ALDEIA

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura…

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Alberto Caeiro

&

———–

SOPRA DEMAIS O VENTO… Fernando Pessoa

Sopra demais o vento
Para eu poder descansar
Há no meu pensamento
Qualquer coisa que vai parar

Talvez esta coisa da alma
Que acha real a vida
Talvez esta coisa calma
Que me faz a alma vivida

Sopra um vento excessivo
Tenho medo de pensar
O meu mistério eu avivo
Se me perco a meditar

Vento que passa e esquece
Poeira que se ergue e cai
Ai de mim se eu pudesse
Saber o que em mim vai!

sobre a poesia de Fernando Pessoa e seus poemas
musicados por Jardel Caetano clique:
 http://www.youtube.com/watch?v=g8XxuOiNZrA&feature=related
 http://www.myspace.com/jardelcaetano
mais sobre Jardel neste BLOG:

Mensagens para mim mesma… Afinal hoje é meu dia!

(Kika by Luiz Carlos - Junho2009 - ps: adoro essa foto!)
(Kika by Luiz Carlos – Junho2009 – ps: adoro essa foto!)



Poemas, Palavras, Sentimentos, Desejos… Verdades, algumas… 

Poucas… Muito poucas, entre tantas nas quais acredito… 

Queria poder escrever… Mas não consigo! 

 

 

—————+—————-

 

 

Do meu querido, Fernando Pessoa… E outros… 

===================

 

Posso ter defeitos, viver ansioso

e ficar irritado algumas vezes,

mas não esqueço de que a minha vida

é a maior empresa do Mundo

e que posso evitar que ela vá á falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,

apesar de todos os desafios

incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vitima dos problemas

e se tornar um autor da própria historia

É atravessar desertos fora de si,

mas ser capaz de encontrar um oásis

no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um não.

É ter seguranças para receber uma critica,

mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo-as todas,

um dia vou construir um castelo…”

(Fernando Pessoa)

—- § —-

N A V E G A R

Navega, descobre tesouros,

mas não os tires do fundo do mar,

o lugar deles é lá.

Admira a Lua,

sonha com ela,

mas não queiras trazê-la para Terra.

Goza a luz do Sol,

deixa-te acariciar por ele.

O calor é para todos.

Sonha com as estrelas,

apenas sonha,

elas só podem brilhar no céu.

Não tentes deter o vento,

ele precisa correr por toda a parte,

ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.

As lágrimas?

Não as seques,

elas precisam correr na minha, na tua, em todas as faces.

O sorriso!

Esse deves segurar,

não o deixes ir embora, agarra-o!

Quem amas?

Guarda dentro de um porta jóias, tranca, perde a chave!

Quem amas é a maior jóia que possuis, a mais valiosa.

Não importa se a estação do ano muda,

se o século vira, conserva a vontade de viver,

não se chega a parte alguma sem ela.

Abre todas as janelas que encontrares e as portas também.

Persegue o sonho, mas não o deixes viver sozinho.

Alimenta a tua alma com amor, cura as tuas feridas com carinho.

Descobre-te todos os dias,

deixa-te levar pelas tuas vontades,

mas não enlouqueças por elas.

Procura!

Procura sempre o fim de uma história,

seja ela qual for.

Dá um sorriso àqueles que esqueceram como se faz isso.

Olha para o lado, há alguém que precisa de ti.

Abastece o teu coração de fé, não a percas nunca.

Mergulha de cabeça nos teus desejos e satisfá-los.

Agoniza de dor por um amigo,

só sairás dessa agonia se conseguires tirá-lo também.

Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura.

Arrepende-te, volta atrás,

pede perdão!

Não te acostumes com o que não te faz feliz,

revolta-te quando julgares necessário.

Enche o teu coração de esperança, mas não deixes que ele se afogue nela.

Se achares que precisas de voltar atrás, volta!

Se perceberes que precisas seguir, segue!

Se estiver tudo errado, começa novamente.

Se estiver tudo certo, continua.

Se sentires saudades, mata-as.

Se perderes um amor, não te percas!

Se o achares, segura-o!

Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.

“O mais é nada”.

§——————————§

QUERO SER TEU AMIGO… 

“Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.

Nem tão longe e nem tão perto.

Na medida mais precisa que eu possa.

Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,

Da maneira mais discreta que eu souber.

Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.

Sem forçar tua vontade.

Sem falar, quando for hora de calar.

E sem calar, quando for hora de falar.

Nem ausente, nem presente por demais.

Simplesmente, calmamente, ser-te paz.

É bonito ser amigo, mas confesso: é tão difícil aprender!

E por isso eu te suplico paciência.

Vou encher este teu rosto de lembranças,

Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias”

(Fernando Pessoa)

Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

“Quem me roubou o tempo que era um

quem me roubou o tempo que era meu

o tempo todo inteiro que sorria

onde o meu Eu foi mais limpo e verdadeiro

e onde por si mesmo o poema se escrevia.”

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

° ° °