O Homem Lúcido

Amor

By Kika Domingues

Texto lido no final do filme “Separações” (2002) do mestre Domingos de Oliveira; filme denso, repleto de diálogos e questionamentos sobre as nuances que envolve todas as etapas de um relacionamento de amor/paixão. Muito bom!!

O Homem Lúcido

O homem lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções que ele nunca se entusiasma com ela. Assim como ele nunca tem memórias. O homem lúcido sabe que o viver e o morrer são o mesmo em matéria de valor posto que a vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um mal.

O homem lúcido sabe que ele é o equilibrista na corda bamba da existência. Ele sabe que por opção ou por acidente é possível cair no abismo a qualquer momento interrompendo a sessão do circo.

Pode também o homem lúcido optar pela vida. Aí então ele esgotará todas as suas possibilidades. Ele passeará pelo seu campo aberto, pelas suas vielas floridas. Ele saberá ver a beleza em tudo! Ele terá amantes, amigos, ideais. Urdirá planos e os realizará. Resistirá aos infortúnios e até mesmo às doenças. E se atingido por um desses emissários saberá suportá-los com coragem e com mansidão.

E morrerá, o homem lúcido, de causas naturais e em idade avançada. Cercado pelos seus filhos e pelos seus netos que seguirão a sua magnífica aventura. Pairará então sobre a memória do homem lúcido uma aura de bondade.

Dir-se-á: – Aquele amou muito. Aquele fez muito bem às pessoas!

A Justa Lei Máxima da Natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem se iguale sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis. O homem lúcido porém, esse que optou pela vida com o consentimento dos deuses, tem o poder magno de alterar essa lei. Na sua vida, os acontecimentos favoráveis serão sempre maioria…Porque essa é uma cortesia que a Natureza faz com Os Homens Lúcidos.”

O texto é uma livre tradução, parte de um Tratado sobre a Lucidez, que teria sido escrito no séc. VI a.C, na Caldéia – parte sul e mais fértil da Mesopotâmia, entre os rios Eufrates e Tigre.

Sobre o filme

SEPARAÇÕES

Brasil, 2002

Direção: Domingos Oliveira

Roteiro: Domingos Oliveira e Priscilla Rozenbaum

Fotografia: Paulo Violeta

Direção de arte e figurino: Ronald Teixeira

Montagem: Natara Ney, José Rubens

Som Direto: Sílvio da Rin, Paulo Costa

Produção: Clélia Bessa, Luiz Leitão

Elenco: Domingos Oliveira, Priscilla Rozenbaum, Ricardo Kosovski, Fabio Junqueira, Maria Ribeiro, Nandda Rocha.

Duração:116 min.

coisas de longe…

Antes da Chuva Chegar
Guilherme Arantes

Sinto agora que o vento
traz coisas de longe de casa libertando a voz
são lugares perdidos, imagens confusas de tempos
que não voltam mais
e pessoas com quem conviví, suas palavras, seus sonhos,
seus atos, seus modos de ver a vida
olhe o que o vento traz, antes da chuva chegar

Pela rua deserta e forrada
de folhas caídas que voam ao léu
corre o meu pensamento
no rastro das nuvens pesadas que habitam o céu

Vejo a casa na qual me criei,
vejo a escola, o jardim,
vejo a cara de cada um dos meus companheiros.
olhe o que o vento traz, antes da chuva chegar
olhe o que o vento traz, antes da chuva chegar

O mundo explodindo e eu ainda aqui sonhando…

Uma das poesias mais lindas que ouvi nesses últimos tempos…

Por Leo Cavalcanti:

Compus essa música em meio a lágrimas. Ela simplesmente brotou de mim. Brotou da dor de contemplar ao mesmo tempo meu coração sagrando por um amor perdido e o mundo sangrando em crises que só se aprofundam. É sobre isso que trata “Ainda Aqui Sonhando”. Sobre essa equação que parece não fechar: precisamos salvar o mundo, precisamos salvar a nós mesmos. Ela é minha oferenda para esse nosso momento, e eu dedico a todxs que lutam por liberdade, justiça e amor. (via Instagram)

 

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O amor é o maior sonho de todo ser humano, mesmo diante de um mundo tão turbulento e cheio de tragédias… É isso!  |O amor é assim… Uma verdadeira obra prima: Uma poesia em forma de canção. Uma música cheia de passagens inusitadas; de melodias e delícias.  E a fotografia desse clipe?? Demais… Minha descoberta de hoje: Leo Cavalcanti 🙂 e logo abaixo a ficha completa de todos que construíram essa maravilha.

Voltando aqui hoje, dia 23 pra falar ainda dessa música que vem mexendo com minha cabeça…  O poeta não só sonha com um amor, ele sonha em ser um cantor, em ser feliz… E isso realmente me faz lembrar da empatia, de como, por muitas vezes, sabendo de tantas tragédias, de tantas vidas que sofrem todo tipo de carência, de um mundo tão egoísta… Um mundo que compartilha tanto sofrimento e até utiliza isso pra conseguir “likes” na rede social… E tantas mãos atadas, inertes… Como podemos querer ser feliz? porque temos esse direito?E como ser feliz quantos tantos seres humanos sofrem em meio a esse mundo tão grande?? A postagem de Arthur Schopenhauer – As dores do mundo que fiz aqui em 2012 … continuo com isso na minha cabeça… Enfim, ai de nós não fossem os poetas, os músicos pra falar de forma tão linda sobre a humanidade que há em nós…

 

AINDA AQUI SONHANDO
(Leo Cavalcanti)

O mundo explodindo e eu ainda aqui sonhando em ter um amor
o mundo explodindo e eu ainda aqui sonhando
sonhando solitário a minha dor
do fato dado de estar inundado por um sonho
Barragens se rompendo e eu ainda aqui querendo aquele amor
as lamas escorrendo e eu ardendo por um sonho
um certo cara e o seu calor
tão displicentemente ele entra nos meus sonhos
sonhos de amor
E ele já não me quer mais
por que ele entrou assim
no fundo de dentro de mim?
Tanta gente sem amor
e eu pedindo por favor
pra ele me salvar de mim
e o mundo em chamas por aí
e não será a última vez
Sete bilhões de solidões
fascismo a todo vapor
medo, ignorância e dor
e eu sem saber mais de mim
por que me sinto só assim?
ele já tem um novo amor
por que isso dói tanto aqui?
eu achei que era amor
Fascismo se espalhando e eu ainda insistindo em ser um cantor
pessoas sendo mortas e eu ainda aqui com medo
de ser alguém aquém de quem eu sou
de não dar conta de cantar o canto dos meus sonhos
cantos de amor
Como se não coubesse em mim
o canto que se pede aqui
num mundo em pleno desamor
medo, ignorância e dor
e eu pedindo por favor
pra ele me salvar de mim
e o mundo em chamas por aí
fascismo a todo vapor
Ele já tem um novo amor
por que ele entrou assim
no fundo de dentro de mim?
Sete bilhões de solidões
Tanta gente sem amor
E não será a última vez
Por que me sinto só assim?
Eu achei que era amor
Eu achei que era amor
Eu achei…
O mundo explodindo e eu ainda aqui
sonhando…

“Videoclipe oficial de “Ainda Aqui Sonhando”, single de Leo Cavalcanti lançado em Março de 2018. Direção: Ricardo China e Rafael Souza – Usina Films Criação: Ricardo China Diretor de fotografia e grading: Edvaldo Júnior Montagem: Rafael Souza ASsistente de edição: Yasmin Reis Produção: Bruna Leskowicz Estrelando: Leo Cavalcanti Hiran Amine Barbuda Arthur Scovino Johanna Gaschler Dimmy Oliveira Raquel Padua Ficha técnica – single: “Ainda Aqui Sonhando” autoria: Leo Cavalcanti Produzido por Gustavo Ruiz e Guilheme Held Arranjos de cordas por Jacques Mathias Leo Cavalcanti: Voz, violão Rafael Rocha: Percussões e MPC Guilherme Held: Guitarra e baixo Violino: Aramis Rocha Violino 2: Robson Rocha Cello: Deni Rocha Viola: Daniel Pires Mixado e masterizado por Carlos “Cacá” Lima no Estúdio YB” (via canal YouTube Leo Cavalcanti )

 

you are…

 

If you must wait,
Wait for them here in my arms as I shake
If you must weep,
Do it right here in my bed as I sleep
If you must mourn, my love
Mourn with the moon and the stars up above
If you must mourn,
Don’t do it alone

If you must leave,
Leave as though fire burns under your feet
If you must speak,
Speak every word as though it were unique
If you must die, sweetheart
Die knowing your life was my life’s best part
And if you must die,
Remember your life

You are
You are
Oh, you are
You are
Oh

“You” por Keaton Henson

 

Porque o céu perdeu a cor…

 

Porque cada manhã me traz
O mesmo sol sem resplendor
E o dia é só um dia a mais
E a noite é sempre a mesma dor
Porque o céu perdeu a cor
E agora em cinzas se desfaz

Porque eu já não posso mais
Sofrer a mágoa que sofri
Porque tudo que eu quero é paz
E a paz só pode vir de ti

Porque meu sonho se perdeu
E eu sempre fui um sonhador
Porque perdidos são meus ais
E foste para nunca mais

Oh, meu amor
Porque minha canção morreu
No apelo mais desolador
Porque a solidão sou eu
Ah, volta aos braços meus, amor

Canção Em Modo Menor
Tom Jobim

 

“Composta por Antonio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes, “Canção em Modo Menor” foi lançada originalmente em 1962. Ganha uma nova interpretação de mais puro sentimento na voz de Paula Morelenbaum, com Jaques Morelenbaum (celo) e Ryuichi Sakamoto (piano). O álbum chama-se “Casa”, lançado em 2001 com o selo WEA.”

(via youTube)