Amor, Amor… Sueli Costa por Joyce Moreno

Amor Amor
Sueli Costa e Cacaso

Quando o mar
Quando o mar tem mais segredo
Não é quando ele se agita
Nem é quando é tempestade
Nem é quando é ventania
Quando o mar tem mais segredo
É quando é calmaria

Quando o amor
Quando o amor tem mais perigo
Não é quando ele se arrisca
Nem é quando ele se ausenta
Nem quando eu me desespero
Quando o amor tem mais perigo
É quando ele é sincero

O esquecimento é a arma mais letal do amor…

 

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By Kika Domingues

” (…) O esquecimento é a arma mais letal do amor, quem nos esquece é como se esquecesse de tudo o que fomos. Ou pior: que existimos. Quem ama e consegue esquecer é uma espécie de assassino: mata a realidade, apaga-a, revoga-a, transforma-a num pesadelo absurdo no qual somos obrigados a aprender outra vez a viver (…)” (Margarida Rebelo Pinto – Alma de pássaro)

Tudo é tão comum sem ter você…

Toninho Horta & Grupo Cobra Coral

 

Quadros Modernos

Pode ser
Flores de Monet
Mar de girassóis
Tudo é tão comum
Sem ter você
Pode ser
Tela de Guignard
Sol de Renoir
Cores de cristal iluminando o dia
Pode ser
Filme de Godard
Torres de Gaudi
Um desenho a giz
Vou ser feliz
Pode ser
E que seja assim
Se é pra sonhar
Não seja no fim

Pode ser
Chuva da manhã
Curvas de Rodin
Tudo é tão comum
Sem ter você
Pode ser
Sonhos de Dali
Traços de Miró
Só a sua luz me ilumina a vida
Pode ser
O Abaporu
Portinari azul
Tudo é tão igual
É tão comum
Pode ser o que imaginar
Sem você aqui
Só resta sonhar

Guardanapos de Papel Biromes Y Servilletas (Andrés Calamaro)

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O Poeta segundo  Andrés Calamaro. A mais incrível definição que já ouvi…

Na minha cidade tem poetas, poetas
Que chegam sem tambores nem trombetas
Trombetas e sempre aparecem quando
Menos aguardados, guardados, guardados
Entre livros e sapatos, em baús empoeirados
Saem de recônditos lugares, nos ares, nos ares
Onde vivem com seus pares, seus pares
Seus pares e convivem com fantasmas
Multicores de cores, de cores
Que te pintam as olheiras
E te pedem que não chores
Suas ilusões são repartidas, partidas
Partidas entre mortos e feridas, feridas
Feridas mas resistem com palavras
Confundidas, fundidas, fundidas
Ao seu triste passo lento
Pelas ruas e avenidas
Não desejam glorias nem medalhas, medalhas
Medalhas, se contentam
Com migalhas, migalhas, migalhas
De canções e brincadeiras com seus
Versos dispersos, dispersos
Obcecados pela busca de tesouros submersos
Fazem quatrocentos mil projetos
Projetos, projetos, que jamais são
Alcançados, cansados, cansados nada disso
Importa enquanto eles escrevem, escrevem
Escrevem o que sabem que não sabem
E o que dizem que não devem
Andam pelas ruas os poetas, poetas, poetas
Como se fossem cometas, cometas, cometas
Num estranho céu de estrelas idiotas
E outras e outras
Cujo brilho sem barulho
Veste suas caudas tortas
Na minha cidade tem canetas, canetas, canetas
Esvaindo-se em milhares, milhares, milhares
De palavras retrocedendo-se confusas, confusas
Confusas, em delgados guardanapos
Feito moscas inconclusas
Andam pelas ruas escrevendo e vendo e vendo
Que eles vêem nos vão dizendo, dizendo
E sendo eles poetas de verdade
Enquanto espiam e piram e piram
Não se cansam de falar
Do que eles juram que não viram
Olham para o céu esses poetas, poetas, poetas
Como se fossem lunetas, lunetas, lunáticas
Lançadas ao espaço e ao mundo inteiro
Inteiro, inteiro, fossem vendo pra
Depois voltar pro …

(versão em português)