Habitar-me tu…

 

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By Kika Domingues

 

Às vezes tu me habitas como ruídos a uma casa,

como marcas a um rosto que por elas se define

e te lembrar é voltar ao que há de mais meu em mim mesma,

à parte de mim mesma que me revela e me assombra.

 

Às vezes eu quase te esqueço,

quase te perco

e quase sou completamente triste

e quase sou completamente outra

sem a interrogação onipresente dos teus olhos,

sem a incompreensão cúmplice da tua voz.

 

Estás em mim e não há nada a fazer,

mesmo a meio da noite,

quando és um vazio cheio de pontas,

mesmo a meio da frase,

quando és um gole de ar no lugar do teu nome.

 

Tu és meu porque de ti sou feita

e negar-te a mim seria parir-me ao contrário.

 

Aceito assim meu ofício de habitar-me tu –

ainda que a mim nunca regresses,

mesmo que de mim jamais tenhas partido.

(Patrícia Antoniete – 14/01/2009)

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