“E um império, dois rios e mais um continente… Que era meu…”

Flor de Maio - Foto Kika Domingues

A arte de perder

A arte de perder não é nenhum mistério;

Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero, A chave perdida,a hora gasta bestamente.

A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente Da viagem não feita.
Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe.

Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas.
E um império Que era meu, dois rios, e mais um continente.

Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.

– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério

(Elisabeth Bishop)

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