DESCONSTRUINDO O OLHAR…

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A única espécie de curiosidade que vale a pena

ser praticada com um pouco de obstinação,

não é aquela que procura assimilar o que convém conhecer,

mas a que permite separar-se de si mesmo.

De que valeria a obstinação do saber se ele assegurasse

apenas a aquisição dos conhecimentos e não,

de certa maneira, e tanto quanto possível,

o descaminho daquele que conhece?

Existem momentos na vida onde a questão de saber

se se pode pensar diferentemente do que se pensa,

e perceber diferentemente do que se vê,

é indispensável para continuar a olhar e refletir.

(Michel Foucault)

Michel Foucault, Poitiers15 de outubro de 1926 — Paris25 de junho de 1984) foi um importante filósofo eprofessor da cátedra de História dos Sistemas de Pensamento no Collège de France desde 1970 a 1984. Todo o seu trabalho foi desenvolvido em uma arqueologia do saber filosófico, da experiência literária e da análise do discurso. Seu trabalho também se concentrou sobre a relação entre poder e governamentalidade, e das práticas de subjetivação.  Continue lendo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Michel_Foucault

A AVENTURA DE LER CLARICE…

Ler Clarice é…

Teresa Montero

 

Ler Clarice é viver em permanente estado de paixão.

 

Ler Clarice exige uma mudança de postura do leitor no modo pelo qual ele se aproxima do texto. É que o texto de Clarice pede uma escuta atenta, uma entrega de quem o lê. Clarice fala de coisas presentes no nosso dia-a-dia, o modo pelo qual reagimos aos acontecimentos mais banais, como andar na rua, olhar-se ao espelho ou conversar com um amigo. Ela nos mostra, também, outras coisas vivenciadas interiormente, aqueles momentos sem palavras dos quais só o nosso coração testemunha. Clarice escreve textos como quem vai desvelando a realidade, sondando os gestos, os olhares; tudo tão sutilmente que quando o leitor se dá conta vê-se diante de um instante mágico, especial, ao reconhecer a sua vida, a si mesmo, através daquelas palavras.Ler Clarice é uma oportunidade de mudar o seu olhar diante do universo. É estar disponível para se aventurar no seu interior de forma irracional, sem censuras. Deixar-se levar pela imaginação, pela intuição e usá-las como forma de conhecimento.

Ao publicar A paixão segundo G.H., Clarice escreveu uma pequena nota introdutória onde pedia que este livro só fosse lido por pessoas de alma já formada. Isso mostra até que ponto pode-se absorver o que o seu texto diz. Ao ler Clarice deve-se estar disposto a aceitar o não entendimento de determinados processos da vida. Clarice dizia: “Suponho que entender não seja uma questão de inteligência, mas uma questão de sentir, de entrar em contato.” Isso faz parte do caminho aberto pelo seu texto. Cada leitor contém a sua bagagem particular de experiências, sensações, acionadas no momento da leitura; Clarice sabe disso e valoriza estas particularidades. Seu texto é um convite permanente ao “viver ultrapassa todo o entendimento” (palavras de Clarice).

Clarice escreveu crônicas, contos, romances, livros infantis, reportagens, páginas femininas, uma peça teatral, enfim, exercitou-se em diferentes registros de textos, mas imprimiu sua marca em todos eles: o texto interroga, faz o natural parecer sobrenatural, imprime um sentido ainda desconhecido por nós.

Viver essa experiência de ser leitor de Clarice é uma aventura no que ela tem de imprevisível, surpreendente, perigoso, ao mesmo tempo é um presente porque quando se está lendo Clarice você se sente especial dentro deste universo criado por ela. Especial porque você consegue se reconhecer como um ser humano cheio de limitações, sujeito às adversidades da vida, ao fracasso, às crises, mas também capaz de trilhar um caminho repleto de descobertas, de sustos, de grandes alegrias, de momentos de êxtase, vertigens, delírios.

 

Ler Clarice é a possibilidade de viver intensamente o que se é.

 

 

O AMOR É LINDO… SE NÃO FOR AMOR EU SIGO…

Se Não For Amor, Eu Cegue

Lenine

Pode ser um lapso do tempo
E a partir desse momento acabou-se solidão
Pinga gota a gota o sentimento
Que escorrega pela veia e vai bater no coração
Quando vê já foi pro pensamento
Já mexeu na sua vida, já varreu sua razão
Acelera a asa do sorriso
Muda o colorido, vira o ponto de visão

Cai o medo tolo, cai o rumo
Quando a terra sai do prumo eu estou perto de ti
Abre-se a comporta da represa
Desviando a natureza pra um lugar que eu nunca vi

Uma vida é pouco para tanto
Mas no meio desse encanto tempo deixa de existir
E é como tocar a eternidade
É como se hoje fosse o dia em que eu nasci

Livre, quando vem e leva
Lava a alma, leve e vai tranquila
E a pupila acessa do seu olho disse love

Bem, se não for amor eu cegue
Bem, se não for amor eu fico
Eu sigo, sigo, sigo, eu fico cego por ti

Bem, se não for amor eu cegue
Bem, se não for amor eu fico
Eu sigo, sigo, sigo, eu fico cego por ti

Eu fico cego por ti

A VIDA É TÃO RARA… EU SEI!

EU JÁ POSTEI ESSA MÚSICA POR AQUI…

MAS A MEDIDA QUE O TEMPO PASSA;

“AS COISAS” PASSAM,

ATÉ AS MÚSICAS MUDAM…

Paciência

Lenine

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para…

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara…

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência…

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência…

Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber ?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber ?
A vida é tão rara
Tão rara…

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não…

Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber ?
Será que temos esse tempo
Pra perder ?
E quem quer saber ?
A vida é tão rara
Tão rara…

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida é tão rara
A vida não para não…

A vida não para…