PORQUE EU SEMPRE ESCOLHO O AMOR…

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O amor é procurar cabelos para completar as mãos,
é procurar o que não se viveu para contar.
É esperar o sol aquecer o lado ileso da cama.
É não apagar direito a ausência, a letra, o cheiro.
É insistir com respostas sem as perguntas.
Adiar o amor ainda é cumpri-lo. Fingir que não se sente é exercê-lo.
O amor devora os sobreviventes.
Não lembra do pente, da navalha, da tesoura de unhas, do jornal, do abajur.
O amor não lembra do que precisa.
Amor é não precisar de nada.
É precisar do que acontece depois do nada, ainda que não aconteça.
O amor confunde para se chegar ao mistério.
Embaralha para não se ouvir. Perde-se no próprio amor a capacidade de amar.
Amor é comer a fruta do chão. O chão da fruta.
O amor queima os papéis, os compromissos, os telefones onde havia nomes.
O amor não se demora em versos, se demora no assobio do que poderia ser um verso.
O amor é uma amizade que não foi compreendida, uma lealdade que foi quebrada.
O amor é um desencontro por dentro.’
(Fabrício Carpinejar)

Num trecho ou outro da estrada…

Igualzinho ao que acontece com todas as pessoas, num trecho ou outro da estrada,

eu já senti tanta dor que parecia que os golpes haviam me quebrado toda por dentro.

Não sabia se era possível juntar os pedaços, por onde começar,

nem se o cansaço me permitiria movimentos na direção de qualquer tentativa.

Quando o susto é grande e dói assim,

a gente precisa de algum tempo para recuperar o fôlego outra vez.

Para voltar a caminhar sem contrair tanto os ombros e a vida.

Um espaço para a gente quase se reinventar.

 O tempo passa. O fôlego retorna. Parece milagre,

mas as sementes de cura começam a florescer nos mesmos jardins

onde parecia que nenhuma outra flor brotaria.

A alma é sábia: enquanto achamos que só existe dor, ela trabalha,

em silêncio, para tecer o momento novo. E ele chega.

(Ana Jácomo)

PAI! Dá licença… Hoje é MEU ANIVERSÁRIO!

Sinais de Amor

Meu Aniversário

Vanessa da Mata

Composição: Sereia de Água Doce (Vanessa da Mata)

Hoje é meu aniversário
Corpo cheio de esperança
Uma eterna criança, meu bem

Hoje é meu aniversário
Quero só noticia boa
Também daquela pessoa, oba

Hoje eu escolhi passar o dia cantando
De hoje em diante eu juro felicidade a mim

Na saúde, na saúde, juventude, na velhice
Vou pelos caminhos brandos
A minha proposta é boa, eu sei

De hoje em diante tudo se descomplicará
Com um nariz de palhaço
Rirei de tudo que me fazia chorar

Cercada de bons amigos me protegerei
Numa mão bombons e sonhos
Na outra abraços e parabéns

Quero paparicações no meu dia, por favor
Brigadeiros, mantras, músicas
Gente vibrando a favor

Vamos planejar um belo futuro pra logo mais
Dançar a noite toda Fela Kuti, Benjor e Clara

Parabéns, Bianca!
Parabéns, Felipe!
Parabéns, Micael!
Parabéns, Mateus!
Parabéns, Artur!
Parabéns, (GEL)!
Parabéns, eu! Parabéns, eu!

Parabéns, Brendon!
Parabéns, Guiga!
Parabéns, Mayanna!
Parabéns, João!
Parabéns, Duda!
Parabéns,(GEL)!

Parabéns, eu(GEL)! Parabéns, eu(GEL)!

SINAIS DE FUMAÇA, SINAIS DE VIDA, SINAIS DE AMOR…

Canção de Amor

Bebel Gilberto

Composição: Massa Shimizu / Bebel Gilberto

Sonhando acordada lembrava
Do que então seria
Estar com você por um
dia
Ou pra sempre… uhum

Pensava que então esse dia
Viria pra sempre
Pois quando canto, canto
sem parar
E tudo vira canção

Dun, dun, dun
É o meu amor, é o meu amor
Eu só quero cantar pra
você
Dun, dun, dun
Não sei bem porque
Me leva você
Este som
Essa
canção de amor

Sonhando acordada lembrava
Do que então seria
Estar com você por um
dia
Ou pra sempre… uhum

Sabia no fundo que esse dia
Era pra sempre
E sempre vou cantar
Esta
canção
Ti por amor

Dun, dun dun
Não sei bem porque
É o meu amor
E este som me leva a
você
Cucocucocuco
Não sei bem porque
Me leva você
Este som
Esta
canção de amor

Cucocucocuco
É o meu amor, é o meu amor
E este som me leva a
você
Dun, dun dun
É o meu amor
Este som, esta canção
Um cheiro de
amor…

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ONDAS DO MAR-CORAÇÃO…

Mar

– ° –

Mar bravio,

Mar calmo

Que há em mim.

Nadar

E afogar-me em mim,

E não há que se sobreviver,

Há apenas que se renascer.

Mar

Que mareia,

Que em ondas dança,

Que abriga sereia,

Que náufragos engole,

Que o horizonte alcança,

Que de tão salgado

Não nos permite o gole

Da vida que nele permeia.

Tomá-lo não como quem o bebe,

E sim, sorvê-lo em preces Àquele
que a tudo concebe.

Emoções batem, vem, vão.

Ondas do mar-coração.

Em mim sou marinheiro de primeira
viagem,

Em mim sou o capitão de todos os
mares,

Muitos em mim navegam,

Mas o sentido de tudo está em eu
ser o mar.

Em tua paragem

Hei sempre de navegar

E em teus recônditos

Hei sempre de me afogar

E ser carregado para a areia,

Eliminando-se o entulho do que é
o ”não-ser”,

E retornando ao mar apenas o que
me cabe ser.

Olhos atônitos

Não cansam de te olhar

E embalados pelo canto da sereia

Acabam por crer ao ver

Que para viver

É preciso pela vida estar
apaixonado,

Ter a sede de se viver

Diante de um mar

Que se sabe ser salgado.

(Paulo Rogério da Motta)

 http://www.euniverso.com.br/index.htm

° – °

PAULO por PAULO

Bio: Psicólogo e pós-graduando em Psicologia Analítica.

Sou autor do site Euniverso http://www.euniverso.com.br que desde 2005 existe com o propósito de divulgar a arte, o conhecimento e a espiritualidade e, em especial, a psicologia.

Procuro como autor estabelecer a importância de se contemplar o ser humano dentro de seu amplo universo, ou seja, considerar o ser humano como o portador de um mundo interno repleto de significados e potencialidades.

Livro: Para saber; para comprar:

Nascer para Sonhar:

http://www.clubedeautores.com.br/authors/35069

ERA UMA VEZ UMA MENINA CHAMADA CLARICE…

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Medo da Eternidade

 Clarice Linspector

Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e
mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala
ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o
mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
– Como não
acaba? – Parei um instante na rua, perplexa.
– Não acaba nunca, e pronto.
– Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de
histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que
representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no
milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda
inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela
coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo
impossível do qual já começara a me dar conta.
– Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
– E agora que é que eu faço? – Perguntei para
não errar no ritual que certamente deveira haver.
– Agora chupe o chicle para
ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a
mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi
vários.
– Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho,
não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa,
encaminhávamo-nos para a escola.
– Acabou-se o docinho. E agora?
– Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em brevewww.google.com
tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada.
Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava
gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de
medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição.
Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
Até que não suportei mais, e, atrevessando o portão da escola,
dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
– Olha só o que me aconteceu! – Disse eu em fingidos espanto e tristeza.
– Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
– Já lhe
disse – repetiu minha irmã – que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes
perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a
gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse
você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã,
envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.

POR QUE VOCÊ NÃO EXPERIMENTA?

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Quando a moça da cidade chegou

veio morar na fazenda, na casa velha…

Tão velha!

Quem fez aquela casa foi o bisavô…

Deram-lhe para dormir a camarinha,

uma alcova sem luzes, tão escura!

mergulhada na tristura de sua treva

 e de sua única portinha…

A moça não disse nada,

mas mandou buscar na cidade

uma telha de vidro…

Queria que ficasse iluminada

sua camarinha sem claridade…

Agora, o quarto onde ela mora

é o quarto mais alegre da fazenda,

tão claro que, ao meio dia, aparece uma

renda de arabesco de sol nos ladrilhos vermelhos,

que — coitados — tão velhos

só hoje é que conhecem a luz doa dia…

A luz branca e fria

também se mete às vezes pelo clarão

da telha milagrosa…

Ou alguma estrela audaciosa careteia

no espelho onde a moça se penteia.

Que linda camarinha! Era tão feia!

— Você me disse um dia

que sua vida era toda escuridão

cinzenta, fria,

sem um luar, sem um clarão…

Por que você não experimenta?

A moça foi tão bem sucedida…

Ponha uma telha de vidro em sua vida!

(Telha de Vidro – Raquel de Queiroz)

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