SENHORA DO SILÊNCIO… NOSSA… DE PESSOA…

 

 

Colagem

 

Bernardo Soares

NOSSA SENHORA DO SILÊNCIO [b]

L. do D.

Tu não és mulher. Nem mesmo dentro de mim evocas qualquer coisa que eu possa sentir feminina. E quando falo de ti que as palavras te chamam fêmea, e as expressões te contornam de mulher. Porque tenho de te falar com ternura e amoroso sonho, as palavras encontram voz para isso apenas em te tratar como feminina.

Mas tu, na tua vaga essência, não és nada. Não tens realidade, nem mesmo uma realidade só tua. Propriamente, não te vejo, nem mesmo te sinto. És como que um sentimento que fosse o seu próprio objecto e pertencesse todo ao íntimo de si próprio. És sempre a paisagem que eu estive quase para (poder) ver, a orla da veste que por pouco eu não pude ver, perdido num eterno Ágora para além da curva do caminho. O teu perfil é não seres nada, e o contorno do teu corpo irreal desata em pérolas separadas o colar da ideia de contorno. Já passaste, e já foste e já te amei — o sentir-te presente é sentir isto.

Ocupas o intervalo dos meus pensamentos e os interstícios das minhas sensações. Por isso eu não te penso nem te sinto, mas os meus pensamentos são ogivais de te sentir, e os meus sentimentos góticos de evocar-te.

Lua de memórias perdidas sobre a negra paisagem nítida de vazio, da minha imperfeição compreendendo-se. O meu ser sente-te vazante como se fosse um cinto teu que te sentisse. Debruço-me sobre o teu rosto branco nas águas nocturnas do meu desassossego, no meu saber que és Lua no meu céu para que o causes, ou estranha lua submarina para que,

não sei como, o finjas.

Quem pudesse criar o Novo Olhar com que te visse, os Novos Pensamentos e Sentimentos que houvessem de te poder pensar e sentir!

Ao querer tocar no teu manto as minhas expressões cansam o esforço estendido dos gestos de suas mãos, e um cansaço rígido e doloroso gela-se nas minhas palavras. Por isso, curva um voo de ave que parece que se aproxima e nunca chega, em torno ao que eu quereria dizer de ti, mas a matéria das minhas frases não sabe imitar a substância ou do som dos teus passos, ou do rasto dos teus olhares, ou da cor triste e vazia da curva dos gestos que não fizeste nunca.

s.d.

Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.I. Fernando Pessoa. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982.

 

ORAÇÃO DO GRUPO – autor desconhecido

By Kika Domingues

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Senhor, eu te peço pelo nosso grupo
Para que nos conheçamos melhor
Em nossas aspirações e
Nos compreendamos mais
Em nossas limitações.

Para que cada um de nós sinta e viva
As necessidades dos outros.
Para que nossas discussões não nos dividam
Mas nos unam em busca da verdade e do bem.

Para que cada um de nós
Ao construir a própria vida
Não impeça ao outro de viver a sua.
Para que nossas diferenças
Não excluam a ninguém da comunidade

Para que olhemos para cada um Senhor.
Com os teus olhos
E nos amemos com teu coração.
Para que nos conheçamos melhor

Para que nosso grupo
Não se feche em si mesmo
Mas seja disponível, aberto, sensível
Aos desejos dos outros.

Para que no fim de todos os caminhos
Além de todas as buscas
No final de cada discussão
E depois de cada encontro
Nunca haja “vencidos”
Mas sempre “irmãos”.

Amém.

 

Meu menino vadio…

  

 

Sem fantasia
 (1967)
 
Composição: Chico Buarque de Hollanda

Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perder-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu
 
Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus

ouça também:

http://www.youtube.com/watch?v=zBQMjrQe9EQ&feature=related

“A FOTOGRAFIA É O GRANDE INVENTÁRIO DO PLANETA… DO MUNDO! “

Rubens Fernandes Junior

 
  www.google.com ( By Shirley Stolze)

 

Diretor da Faculdade de Comunicação da Fundação

 Armando Álvares Penteado – Faap, em São Paulo,

é doutor em comunicação e semiótica e atua como professor.

Participa do Conselho Curador da Coleção Pirelli,

 do Museu de Arte de São Paulo (MASP),

onde já trabalhou como curador de fotografia.

 Organizou, entre outros, os livros dos fotógrafos

 Geraldo de Barros, Otto Stupakoff e Thomaz Farkas,

 todos publicados pela editora Cosac Naify.

 Recebeu o prêmio de Melhor Curadoria da

Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA)

 pelo seu trabalho como curador da mostra de fotografias

de Geraldo de Barros, (As)simetrias, (2006). 

          
http://www.iconica.com.br/?page_id=35
http://www.forumfoto.org.br/pt/2010/10/garimpando-sentidos/
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4139929P9
 

 

 

Entre o IMAGINÁRIO e o REAL…

 

 

Estudos relativos à teoria da percepção, representados pelos escritos de Rudolf Arnhein  em   seu   livro  Filme  como arte. 

O    ponto    de   partida   das   considerações       de   Arnhein     é  a desnaturalização  da  representação  fotográfica,  estabelecendo  uma  comparação  entre  a  imagem fotográfica   e   o   objeto   concreto.  

 A  fotografia é  bidimensional,   plana,   com   cores   que   em   nada reproduzem a realidade (quando não é em preto e branco). Ela isola um determinado ponto no tempo e no espaço, acarretando a perda da dimensão processual do tempo vivido.

 É puramente visual, excluindo outras formas sensoriais, tais como o olfato e o tato. Enfim, a imagem fotográfica não    guarda     nenhuma      característica   própria    à  realidade    das   coisas.   Vale    lembrar    que,   uma desconconstrução como a do realismo fotográfico, detém-se, exclusivamente, sobre os efeitos que os recursos  da  técnica  fotográfica  exercem  sobre  a  percepção,  não  considerando  os  aspectos  de conteúdo da mensagem fotográfica.

(Fotografia, história e conhecimento)

ATRAVÉS DA  IMAGEM: FOTOGRAFIA E HISTÓRIA  INTERFACES(*) Ana Maria Mauad (**)
(*)
Este artigo é uma versão revista e ampliada da palestra proferida no Seminário “90 anos da Avenida Rio
Branco”, organizado pelo Arquivo Geral da Cidade do Rio de  Janeiro, no dia 23 de novembro de 1995. 
(**)
 Profª. Adjunta do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da UFF.
Coordenadora do Setor de Iconografia do LABHOI/UFF. Professora da Pós -Graduação em Ciência da Arte/UFF.
Continuar lendo