SOMOS FEITOS DE SONHOS… ENTÃO VAMOS. FELIZ 2010!

 

(imagem deviantart)

Pelo sonho é que vamos, comovidos e mudos.

 

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,

pelo sonho é que vamos.

 

Basta a fé no que temos.

Basta a esperança naquilo que talvez não teremos.

Basta que a alma demos, com a mesma alegria,

ao que desconhecemos e ao que é do dia a dia.

 

Chegamos? Não chegamos?

– PARTIMOS. VAMOS. SOMOS.

(Pelo sonho é que vamos – Sebastião da Gama)

 

UM CONTO… DE VERDADE!

 

De quem consegue enxergar que na vida,

no dia a dia, no “serviço” ,

em tudo enfim, existe POESIA.

 

A Vida e o HOPE – Um conto

 

(conto inspirado nos 15 anos de existência da Instituição HOPE .

Uma homenagem carinhosa a todos os Diretores

Marcelo e Liana , Ronald e Elani e todos os  seus colaboradores ) 

sem títuloc

(Foto e Arte Digital – Kika Domingues)

Pela fresta entreaberta da janela entram a luz e a brisa da manhã – o dia acorda, e com ele eu.

Ao lado, segue dormindo, a minha “bela adormecida” esperando um beijo

ou um rápido “já vou”, para também acordar.

Tal como o dia – ensolarado, nublado ou chuvoso, também levanto animado,

preocupado ou triste, mas, como o dia até hoje sempre acordo.

Não importa o dia – segunda, terça, sábado, domingo.

O acordar é uma benção divina e deve ser regojizada, agradecida.

E o agradecimento é aproveitar cada minuto, é viver.

Banho rápido faço a barba, me olho no espelho, estou pronto. Vou para o HOPE.

Quando lá chego, o hospital já acordou faz tempo e quem sabe, nem dormiu.

São dez para as sete da manhã.

Tem gente nos corredores aguardando os consultórios serem aberto.

Há uns madrugadores já na mesa cirúrgica esperando que uma cirurgia lhes restitua a visão.

O trabalho decorre apressado: cirurgias, consultas, assinar cheques,

ouvir, discutir, tomar decisões e cobrar resultados.

Não sei nem porque sou gordo. Quase não tenho tempo para almoçar.

Finalmente o sol começa a deitar a sua luz cora as nuvens

como que desenhando e colorindo tudo o que foi feito durante o dia.

Por vezes, pela fresta da janela do consultório vejo esta imagem e tal como o sol,

desenho e dou cores a tudo o que fiz hoje,

mais ainda muito médico, muito administrador e muito trabalhador.

A noite chegou. Sem luz, a visão vem do pensamento e é mais intensa.

Não me deixa dormir sem antes rever o dia de hoje.

Como médico, analiso a complexidade do ser humano. Que máquina magnífica!

Retiro energia do ar, dos alimentos – acordo, trabalho,

recebo milhares de informações pelos meus sentidos.

Uso a memória, processo tudo e comando o meu corpo e a minha mente,

só por vezes sou traído pela emoção.

As imagens do HOPE me vêm o tempo todo.

Talvez porque passo a maior parte do tempo aqui,

ou porque é aqui que mais trabalho e mais me emociono.

Talvez porque o HOPE seja a minha vida.

Nas imagens que aparecem em “flashes” vejo muitas pessoas.

A maior parte delas está fardada,

embora com trajes diferentes. Vejo-me também vestido com uma farda,

que muda a cada atividade que faço. Sou um deles.

É vestido nesta farda que analiso – que magnífica instituição!

Acorda cedo, recebe pessoas, lhes restitui a visão.

Retira sua energia da vontade de servir e movimenta,

como se um organismo fosse, uma boa centena de pessoas fardadas.

Cada uma fazendo a sua parte, mas todas com igual importância.

E chega a noite, e quando eu, cansado, estou quase a dormir, me volta o “flash”,

que continua em alerta embora um pouco adormecido.

Agora já é noite, penso eu e pensa também o eu fardado, quanto fizemos!

Quanto mais teremos ainda que fazer? Não importa.

A vida é uma benção divina e o nosso agradecimento é viver nos dedicando a ela.

“Vivamos assim esse conto, que espero eu, seja a minha vida e a vida de todos vocês.”

RONALD CAVALCANTI

(Médico Oftalmo e Diretor Executivo do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco)