Poeta Mário Quintana

Mário Quintana
 
 
 
BEM-AVENTURADOS
 
Bem-aventurados os pintores escorrendo luz
Que se expressam em verde
Azul
Ocre
Cinza
Zarcão!
Bem-aventurados os músicos…
E os bailarinos
E os mímicos
E os matemáticos…
Cada qual na sua expressão!

Só o poeta é que tem de lidar com a ingrata linguagem alheia…

A impura linguagem dos homens!

 
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OS POEMAS
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Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

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O gaúcho Mário de Miranda Quintana (1906-1994).
Poeta Modernista da segunda geração;Tendo sido recusado
três vezes pela Academia Brasileira de Letras ,
ironizou o fato com o seu conhecido "Poeminha do Contra":
 

Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho,
eles passarão…
eu passarinho!

O Pianista Guilherme Arantes

Xiva Nataraja

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Neste curto clipe que assiste em meu spaces,

( www.lancelegal.com.br -TV Senado),

você tem a oportunidade de ver e ouvir

o pianista e compositor, Guilherme Arantes 

em apresentação no Teatro Arthur Azevedo,

tocando uma de suas composições do CD

New Classical Piano Solos (álbum instrumental)

lançado em Nova York, no ano 2000,

na sala “Steinway Hall"

 

“Trata-se de uma nova orientação de sua carreira,

já que Guilherme utiliza um valioso acervo de temas

instrumentais inéditos, e se mostra um pianista

emocional e talentoso.

São temas delicados e complexos,

de média e longa duração,

que foram escritos e desenvolvidos

ao longo de sua vida – desde a adolescência –

Constituindo-se na essência de sua musicalidade”

(Home – Songbook – Discografia UOL)

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Sobre a música Xiva Nataraja :


Uma ode ao Deus hindú da

dança universal, inclui elementos

orientais na trama rítmica.

É o tema do lago, do mar sereno.

 

Encontro de Almas

 

 

Encontro de almas

(Jalal ud-Din Rumi) 

 

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Vem, 
Conversemos através da alma. 

Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.

Sem exibir os dentes, 
sorri comigo, como um botão de rosa. 

Entendamo-nos pelos pensamentos, 

sem língua sem lábios.

Sem abrir a boca, 
contemo-nos todos os segredos do mundo, 

como faria o intelecto divino.

Fujamos dos incrédulos 
que só são capazes de entender 

se escutam palavras e vêem rostos.

Ninguém fala para si mesmo em voz alta. 
Já que todos somos um, 

falemos desse outro modo.

Como podes dizer à tua mão: “toca”, 
se todas as mãos são uma? 

Vem, conversemos assim.

Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma. 
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma. 

Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.

Vem, se te interessas , posso mostrar -te. 


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§ 

 
   

A poesia de Carlos faz explodir o meu coração que não cabe o mundo…

MUNDO GRANDE
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Carlos Drummond Andrade

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Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem… sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo…
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.

 

Oração

Orar sempre… alimento essencial
 
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Jesus, manso e humilde de coração,
ardentemente suplico para que faças
meu coração semelhante ao teu.
 
Dá-me a graça de ir adquirindo
progressivamente um coração
desprendido e vazio,
manso e paciente.
 
Dá-me a graça de sentir-me bem
no silêncio e no anonimato.
Livra-me do medo do ridículo,
do temor do fracasso.
 
Afasta do meu coração a tristeza.
Faze-me livre, forte e alegre.
Que nada possa perturbar minha paz
nem assustar-me.
 
Que meu coração não sinta necessidade
de auto-satisfações e possa eu dormir
todos os dias no leito da paz.
 
Reveste-me de doçura e paciência,
mansidão e fortaleza, suavidade
e vigor, maturidade e serenidade
E os que me vêem , te vejam, Jesus
 
Amém

Metade

 

Adriana Calcanhotto – Metade

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Eu perco o chão, eu não acho as palavras
Eu ando tão triste, eu ando pela sala
Eu perco a hora, eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim

Eu perco a chave de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos, eu estou ao meio         

Onde será que você está agora?